terça-feira, agosto 20, 2019

BIOGRAFIA

FRANCISCO MARQUES DE SOUSA-NENO

Francisco Marques de Sousa nasceu no dia cinco de janeiro de mil novecentos e seis (05/01/1906) na pequena localidade de Curral Velho- Bocaina, município de Picos, filho de José Marques de Sousa e Mariana Josefa de Sousa provavelmente o filho mais novo do casal, entre os sobreviventes, era o caçula.

Francisco Marques de Sousa provinha de uma família não muito numerosa, como era o costume da época, pois seus pais tiveram seis filhos sendo 4 homens e 2 mulheres, destes sobreviveram 5 que são: Antônio Marques de Sousa (1891-1950), Joaquim Marques de Sousa (1900- 1980), Rosa Mariana da Conceição (1902- 1994), Maria Josefa de Sousa (? -? 1942) e Francisco Marques de Sousa (1906-1990). Tem-se conhecimento de um que morreu pequeno, chamava-se Raimundo.

Francisco Marques de Sousa foi criado no seio de uma família pequena e humilde, durante sua infância conviveu com seus pais e irmãos e muito cedo ganhou o apelido de Neno o que causa curiosidades, pois é muito comum as pessoas batizadas com o nome de Francisco terem como vulgo Chico, chicão, Chiquinho, chichico, chiquita, tico, titico, e não Neno, uma vez que esse apelido pertence a outro campo semântico. É possível que o nome “Neno” seja um metaplasmo de nenê. Talvez pelo fato dele ser o caçula e sua família o mimarem tanto.

Neno cresceu naquela comunidade rural, sendo educado nos padrões do seu tempo, nunca frequentou a escola, pois nem havia ao seu alcance, sua formação deu-se no âmbito familiar, aprendendo com seus pais a honrar a palavra empenhada, a dedicar-se aos trabalhos da roça e do criatório, nunca foi fazendeiro, nem dono de grandes propriedades, todavia era um apaixonado pela vida interiorana, um autêntico sertanejo em todas as suas dimensões e nesta situação viveu trabalhando de sol a sol, ganhando a vida com o suor salgado do rosto, prestando serviço aos senhores de sua época Nenê Santos, Cicero Gomes, Carrim e outros.

A vida no campo nunca lhe proporcionou uma condição favorável, mas é certo que ele gostava das atividades que sempre desempenhava, especialmente a de adestrador de animais, que ela chamava de “amansador”. Não tinha nenhum pudor de montar em burro bravo, muito menos de perseguir um boi valente na caatinga seca, era um legitimo vaqueiro de alma e coração.

Na década de vinte entre os 1925/ 1926 quando Francisco Marques – Neno, era um jovem e completava 20 anos, teve contato direto com os revoltosos; ora ajudando-os (por medo) sendo guia, ora fugindo, embrenhando-se na mata para esconder seu cavalo. Vivenciou muitos dos acontecimentos da revolta na fazenda Boqueirão. Aqui os revoltosos deixaram marcas de sangue e medo. A população viveu dias de terror. A comoção foi total. Muitos enterraram seus pertencentes de mais valor.

Por “revoltosos”, o povo designavam os integrantes da Coluna Prestes, foi um movimento político-militar de origem tenentista que fez uma longa marcha pelo interior do Brasil.

Foi nessa condição sofrida de agricultor, lidando com a terra e com os bichos que se formara a personalidade resistente e definida de Francisco Marques de Sousa, tendo de enfrentar as mais diversas situações de perigo, medo, pobreza e sofrimento certamente esse contexto o fez um homem de força e coragem, um forte. Esse aspecto da personalidade de Neno assemelha-se perfeitamente com a descrição do sertanejo feita por Euclides da Cunha e imortalizada em sua obra prima Os Sertões: “o sertanejo é antes de tudo um forte”.

Realmente Neno era uma fortaleza tanto no físico quanto nas ações. Decidido, não temia ao perigo, tinha total confiança na proteção divina.  Era daqueles nordestino católico de berço, seguia a tradição familiar, sua mãe era fiel devota de Nossa senhora da Conceição, ele também a seguia nessa devoção à Maria Santíssima, mas acrescido de outras. Neno Marques tinha Santo Antônio como seu protetor e guia, sendo que fazia orações a ele, e carregava consigo uma imagem pequenina de Santo Antônio. Também como todo bom roceiro era devoto de São Francisco, o santo do seu nome, alimentando o sonho de construir uma capela a ele dedicada.

Como era o costume do seu tempo, as pessoas contraiam o matrimônio muito cedo, com Neno não foi diferente. Assim, casou-se em primeiras núpcias com Raimunda. Pouco sabemos sobre ela temos conhecimento que era irmã de Joaquim Fernandes. Dessa união matrimonial não tiveram filhos, ela veio falecer poucos anos após o casamento.

Viúvo e ainda jovem passou algum tempo para buscar outra companheira, somente em 1934 contraiu segundas núpcias aos 28 anos com Deolinda Rosa Leal, ela com 32. A cerimônia aconteceu na igreja de Nossa Senhora da Conceição em Bocaina. Nessa nova fase sua vida ganhou mais sentido. Ao lado de Diulina (vulgo) constrói uma casa, uma família, uma história. Tiveram cinco filhos, mas sobrevivem apenas três Rosa Deolinda Leal, Dussanto (1935), Maria Deolinda Leal, Ducéu (1937) e José de Deus Neto (1939). Antônio e Luís morreram ainda pequeno.

A convivência com Diulina foi alicerçada na união e no companheirismo, essa virtude foi transmitida a seus descendentes. O casal não conseguiram acumular bens materiais, mesmo assim eram felizes, uma prova disso é que Neno gostava de cantar “sonhei que eu era o homem mais feliz do mundo”. Não resta dúvida de que esse otimismo foi um dos legados deixado por Neno Marques.

O casal Neno e Diulina cumpriram a promessa feita na presença do sacerdote, viveram trinca e cinco anos de felicidade, sentimento esse interrompido no dia 18 de novembro de 1969. Neno viúva pela segunda vez.

Sozinho novamente, com a idade avançada, não seria tão fácil casar-se outra vez, mas Deus foi generoso colocou Rosa Virgínia de Sousa na vida dele e de toda família. Ela uma pessoa de uma bondade in-fi-ni-ta. O enlace matrimonial aconteceu no dia 17/03/1970, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, Bocaina-Pi, na presença do vigário Joaquim Rufino.

Como fruto dessa união Jesus lhes concedeu um filho Mariano Marques de Sousa, para completar aquela nova família e a felicidade do casal.

Rosa preencheu o vazio deixado por Diulina, não somente na vida de Neno, bem como de todos os seus descendentes. Ela foi uma verdadeira mãe para os filhos de seu marido, uma avó para os netos, e sobretudo um companheira fiel, dedicada, carinhosa e inseparável de Neno.

Francisco Marques de Sousa deixou-nos no dia 26/05/1990, aos 84 anos. Ensinou-nos a importância do respeito mútuo e saber amar sem limites, especialmente à família e nossa terra natal.

Autor: Antônio Valdemar de Carvalho